segunda-feira, 16 de abril de 2018

Dança de Santa Cruz e arte cigana são temas das Rodas de Conversa no Teatro do Incêndio em abril


O Teatro do Incêndio realiza, em abril, mais uma série das Rodas de Conversa - A Gente Submersa, com entrada franca.  Os eventos reúnem mestres da cultura popular e comunidades tradicionais do estado de São Paulo em bate-papos seguidos por vivências (breves apresentações das manifestações).

No dia 20/4 (sexta, às 20h), o tema abordado é a Dança de Santa Cruz, com participação de Helenice Camargo da tradicional Família Santareira. E no dia 27/4 (sexta, às 20h), a Roda de conversa vai contemplar a Arte e Ancestralidade Ciganas, tendo como convidados descendentes da Família Calon.

Helenice Camargo é autora do livro Sr. Mimi e Dona Nenê e as Festas da Aldeia, no qual relata histórias recolhidas sobre a devoção à Festa de Santa Cruz. Pertence à quarta geração da tradicional Família Santareira, de Carapicuíba (SP), que realiza a Festa e a Dança de Santa Cruz, há mais de 300 anos. É a comemoração mais antiga do Brasil, usada pelos jesuítas na evangelização. A Festa de Santa Cruz tem início com a novena. A Dança de Santa Cruz é uma saudação ao cruzeiro principal e às cruzes enfeitadas, colocadas na frente das casas. Os elementos artísticos são a viola e o reco-reco e a celebração é com gemada de vinho.

Nômades, os integrantes da Família Calon viajam pelo Brasil mostrando a tradição da dança de das cartas ciganas. O encontro no Teatro do Incêndio tem participação de importantes representantes dessa tradição: o pai Carlos, a mãe Maura e filha Bárbara. A Roda de Conversa pretende elucidar a importância do resgate de manifestações ancestrais, a manutenção das atividades e a difusão da arte e da cultura cigana

Rodas de Conversa - A Gente Submersa

O projeto A Gente Submersa foi contemplado pela 29ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, em comemoração aos 21 anos da Cia. Teatro do Incêndio. A programação das Rodas de Conversa – que teve início em 2018 - prima pela diversidade saberes e fazeres tradicionais. São vivências com temas ligados à dança, música, religiosidade, dialeto e culinária. O projeto quer mostrar que as raízes da cultura brasileira se manifestam em grupos que resistem e mantém viva a nossa história.

Em parceria com a Comissão Paulista de Folclore, que ao longo de 67 anos vem mapeando, fomentando e salvaguardando as manifestações culturais tradicionais e os patrimônios culturais imateriais, o Teatro do Incêndio torna-se o terreiro, o quintal para esses encontros de artistas, públicos e griôs. Esta iniciativa vem de encontro à verticalização da busca de raízes brasileiras pelo Teatro do Incêndio que apontou caminhos necessários de aprimoramento e investigação, ações vitais para o presente do coletivo. Esses encontros com a cultura popular fazem parte da pesquisa para montagem dos espetáculos Rebelião – O Coro de Todos os Santos (que estreou em janeiro de 2018) e A Rainha Enterrada (que estreia em agosto deste ano).

Serviço

Rodas de Conversa / Vivência: A Gente Submersa

20 de abril. Sexta, às 20h
Tema: Dança de Santa Cruz
Com Helenice Camargo (Carapicuíba/SP)

27 de abril. Sexta, às 20h
Tema: A Arte e Ancestralidade Ciganas
Com Família Calon (Atibaia/SP)

Local: Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista/SP. Tel: (11) 2609 3730 / 2609 8561
Ingressos: Grátis (não há necessidade de retirar ingresso).
Duração: 2h. Capacidade: 90 lugares.

Dragão7 vai a Portugal participar do Ciclo de Teatro Luso-Brasileiro

Auto da Barca do Inferno - Creusa Borges, por Pedro lougan
Iniciando as comemorações de seus 30 anos de atividades, o Grupo Dragão7 de Teatro participa do Ciclo de Teatro Luso-Brasileiro 2018 de Arcos de Valdevez, no norte de Portugal, no dia 22 de abril (às 16h), com o espetáculo Auto da Barca do Inferno.

Oficinas de teatro para atores locais também estão na programação, nos dias 17 e 18, além de apresentações do espetáculo infantil Pés na Estrada em escolas da cidade, nos dias 18 e 19.

O Ciclo de Teatro Luso-brasileiro de Arcos de Valdevez acontece entre os dias 16 e 30 de abril. Para Nuno Miguel Soares, diretor da Casa das Artes, onde ocorre a mostra, o evento simboliza um importante momento de aproximação cultural entre Brasil e Portugal, evidenciando as novas perspectivas performativas e dramáticas brasileiras.


Auto da Barca do Inferno

Em algum lugar, além da morte, há um cais onde duas barcas ancoradas aguardam os que deixam esta vida. Uma tem como destino e direito, por meio das Esferas Celestiais, a luz divina da eterna glória do paraíso; a outra vai para o inferno. Ninguém escapa ao julgamento final. Sejam grandes ou pequenos, os pecados, as bravuras, as heresias, as inocências, as hipocrisias, as corrupções, tudo é revelado no tribunal onde o diabo é o promotor. Gil Vicente faz desfilar por esse cais personagens em busca da barca que julgam merecer por direito (a do paraíso), lembrando a nós pecadores que somos candidatos a uma vaga neste “batel infernal”, mas sem esquecer que se trata de uma comédia, e komédia em grego significa festa. O Dragão7 montou o Auto da Barca do Inferno há mais de 20 anos e, em 2017,  apresentou-a no XI Circuito de Teatro em Português em homenagem aos 500 anos do texto de Gil Vicente, considerado “pai” do teatro em língua portuguesa. Ficha técnica - Texto: Gil Vicente. Direção: Creuza Borgez. Elenco: Creuza Borges, Letícia Bortoletto, Marli Bortoletto, Marcos Barros, Daniel Dhemes, Humberto Fittipaldi e Ailton Rosa. Técnico: Júnior Lima. Camareira: Izabel Cristina. Foto: Dragão7. Gênero: Comédia. Duração: 75 minutos.

Pés na Estrada

Foto de Vanessa Dutra
A montagem é uma criação coletiva do Dragão7 com direção de Creuza Borges. Os atores Ailton Rosa, Daniel Dheme e Leticia Bortoletto interpretam os palhaços Bu, Bob e Casimira, respectivamente. No enredo, os três palhaços estão com os pés na estrada. Por onde passam, levam alegria e diversão. No meio da viagem eles param para descansar. A partir daí, protagonizam muitas peripécias e se envolvem em confusões, pois cada um, com sua peculiar personalidade, tem um jeito próprio de fazer as coisas. No final da aventura eles descobrem que fazer as coisas juntos é muito mais divertido e proveitoso. Usando objetos inusitados e muitas brincadeiras para promover um jogo atraente e divertido, Pés na Estrada instiga a imaginação do espectador e o convida a viajar por um mundo imaginário. Ficha técnica: Texto: Criação coletiva Dragão7. Direção: Creuza Borges. Atores: Ailton Rosa, Daniel Dheme e Leticia Bortoletto. Percussão: Daniel Dheme. Figurino: Marli Bortoletto. Trilha original: Ricardo Herz. Treinamento de teatro de objetos: Ailton Rosa. Preparação corporal: Leticia Bortoletto. Duração: 60 minutos.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Texto denso e poético de Sérgio Roveri, À Espera, estreia com direção de Hugo Coelho


Com direção de Hugo Coelho, o espetáculo À Espera, de Sérgio Roveri, estreia no dia 11 de maio (sexta, às 20h) na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Com elenco formado por Ella Bellissoni, Jean Dandrah e Regina Maria Remencius, a história traz três personagens que podem estar em qualquer lugar, em qualquer tempo: duas mulheres, sem nenhum tipo de memória acordam todos os dias na mesma hora, à espera de algo – até que um dia recebem a visita inesperada de um homem que veio comemorar um aniversário.

A ação acontece no despertar do que deveria ser um sono profundo, Uma (Remencius) e Outra (Bellissoni) se deparam com o sol que insiste em nascer todos os dias, numa indecifrável realidade. Uma é a mais velha. Não anda, vive na cadeira de rodas, não dorme nunca, não sonha e gosta de falar. À noite, conta os pingos que caem de uma torneira e, durante o dia, ocupa-se ouvindo relatos dos sonhos de Outra. Uma não tem memória, nem lembrança do passado. Outra é jovem e cuida de Uma. Sente medo. Dorme, sonha e inventa sonhos para entreter Uma. Ela também não tem memória de quem foi. Ambas não sabem como foram parar ali e esperam que um dia haja explicação para tamanha espera.

Ele (Dandrah) chega sem avisar para uma festa de aniversário, trazendo duas garrafas de bebida, a promessa de um bolo e algumas histórias. Ele conta que em uma festa já foi capaz de cantar 137 vezes uma mesma canção. Logo após sua chegada, Outra aproveita para sair e conhecer o mundo lá fora, e volta com algumas respostas.

Sérgio Roveri diz que o texto, escrito há cerca de dois anos, foi inspirado em uma imagem do juízo final que sempre o perseguiu, desde criança. “Como seria acordar em um (não) lugar apocalíptico e nada acontecer? Embora não saibam exatamente o que estão fazendo ali, os personagens têm as mesmas inquietações, têm a consciência de que haja algum propósito. Estariam aguardando o tal dia do juízo final?”. Ele explica ainda que, nessa espera atemporal, o que os une talvez seja a esperança. “Eles podem representar o fim, mas nada impede que seja também um início. Ainda que o juízo final seja um conceito muito ligado à religião, não é esta particularidade que o texto aborda, completa o autor”.

Ao contrário do que seria um espetáculo realista, À Espera coloca o espectador diante da intrigante historia dessas personagens que se encontram em lugar e tempo indefinidos. “Apesar de não terem qualquer pista que as remetam a alguma ideia de tempo e identidade, essas mulheres não se desesperam”, diz Bellissoni. “Ao levar uma existência misteriosamente rotineira, acreditam que algo maior está por acontecer, que alguma coisa pode alterar ou mesmo dar um sentido a um cotidiano tão vazio. Não é uma espera por acomodação. Não tem outra possibilidade”, diz Remencius.

Embora se encontrem em uma situação de contornos extremados, os três personagens podem ser uma metáfora do ser humano diante do risco, do perigo, do desconhecido e, principalmente, diante da necessidade de reconstrução. Abordando a impossibilidade de entendimento da vida, do significado da nossa existência, a peça questiona dois caminhos possíveis, o da desistência ou da possibilidade de enfrentá-la. Para o diretor Hugo Coelho, “À Espera é um texto que induz à reflexão. Não reafirma certezas, propõe questionamentos sobre nossos posicionamentos diante da vida, fazendo do teatro um espaço de reflexão crítica sobre a realidade. A falta de memória - dos personagens assim como da nossa história - nos impossibilita de construirmos uma identidade e decidirmos o nosso destino”.

Sobre a encenação, Sérgio Roveri diz que sua expectativa é estética: ver no palco o olhar do diretor e dos atores para algo que ele, talvez, nem enxergasse ao escrever a peça. “O que me surpreende sempre é a expansão do entendimento”, afirma ele. “À Espera pretende ser um espelho por vezes poético, por vezes trágico, por vezes comovente de um mundo onde aflição e conformismo travam um debate eterno”, finaliza o autor.

A encenação

Segundo o diretor, Sérgio Roveri escreve um drama fantástico que também pode ser uma tragédia contemporânea. “E, por requinte, ele compõe seu texto nos moldes clássicos, com unidade de lugar, tempo e ação. Paradoxalmente, desconstrói a tragédia clássica nos provocando a questionar o lugar, o tempo e a ação da peça, onde passado, presente e futuro se entrelaçam numa desconexa realidade. Roveri tem uma densidade poética que eu espero alcançar: traduzir sua poesia de forma cênica”.

Hugo Coelho comenta que os três personagens vivendo em um cenário pós-apocalíptico, esperando por algo que não se sabe o quê, possibilita múltiplas interpretações. “O texto nos desafia a não identificar onde se passa a ação. Esse cenário poderia ser mera representação dos lares modernos, dentro dos quais as pessoas se enclausuram com medo do diferente, do outro, do que está do lado de fora”. 

O diretor explica que a ação da peça se constitui pela palavra, pela força do ator. A clareza das falas, a densidade, o ritmo e o fluxo são fundamentais para o entendimento do espetáculo. “Esta é a celebração de um ato teatral intenso, uma experiência forte. O texto traz questões filosóficas numa situação em que estamos perdidos em um mar de possibilidades”, reflete. “À Espera também tem humor. Seus diálogos são vibrantes, seus personagens pulsam, sua ironia e desespero são cotidianos e prosaicos. A nossa tragédia é estarmos diante do tempo e procurar entender o significado da existência. Estamos à espera de dias melhores, de uma sociedade mais justa e menos violenta onde a alegria e a vontade de viver sejam possíveis”, completa.

A ambientação não é realista, é uma instalação cenográfica (de David Schumaker) feita de tecidos em tons de branco, dispostos em simetrias e assimetrias geométricas e simbólicas para que todos os universos sejam possíveis. “Pode ser uma casa ou o mundo interno de cada um”, explica Hugo. O figurino (de Adriana Vaz Ramos) também escapa à configuração realista para pessoas que não sabemos quem são nem o que representam. “Tipificar os personagens seria reduzi-los, estreitar as possibilidades de leitura que eles oferecem”, argumenta o diretor. Os figurinos trazem tons de cinza com predominância de brancos, tão difusos como o espaço e a condição de vida de Uma, Outra e Ele.

A iluminação (Fran Barros) explora as muitas possibilidades que o cenário permite, desde o foco fechado no rosto dos atores para realçar a palavra, passando pelo amarelo intenso do nascer do sol que invade “a casa” todas as manhãs, até o preenchimento do ambiente fazendo uso de cores, alternando e enfatizando os climas das cenas. E a trilha sonora (Ricardo Severo), originalmente composta, descreve o clima, o vazio, a incerteza e pontua a repetição dos dias. Ora comenta, ora pontua, ora acentua a ação dramática.

Uma não pode andar. Ironicamente, seus sapatos que trazem as marcas de outro tempo, ganham a cena. É nos sapatos que estão impressas as memórias que ela não consegue lembrar. O público, então, é convidado a tirar seus sapatos para compor a instalação. E, no transcorrer do espetáculo, suas memórias, através dos sapatos iluminados na cena, podem dialogar com o texto e com a encenação de forma mais próxima e sensível, para além da fruição intelectual que muitas vezes o teatro propicia.

Ficha técnica / Serviço

Texto: Sergio Roveri
Direção: Hugo Coelho
Elenco: Ella Bellissoni, Jean Dandrah e Regina Maria Remencius
Cenário: David Schumaker
Iluminação: Fran Barros
Design de aparência de atores: Adriana Vaz Ramos
Música original, produção musical e desenho de som: Ricardo Severo e Rafael Thomazini
Assistência de direção: Fernanda Lorenzoni e Larissa Matheus
Direção de produção: Fernanda Moura
Produção: Palimpsesto Produções Artísticas
Assistência de produção: Fernanda Ramos
Fotos: Heloísa Bortz
Identidade visual: Denise Bacellar
Mídias sociais: Verá Papini
Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação
Realização: Ella Bellissoni, RMR Produção Artística e Núcleo 137

Sinopse - Duas mulheres acordadas do que deveria ser um sono profundo se deparam com o sol que insiste em nascer, todos os dias, na mesma hora numa indecifrável realidade. Elas recebem a visita inesperada de um homem para uma festa de aniversário. Embora não saibam exatamente o que estão fazendo naquele lugar, os personagens têm consciência de que estão ali por algum propósito.

Espetáculo: À Espera
Estreia: 11 de maio. Sexta, às 20h
Temporada: 11 de maio a 7 de julho 
Horários: Quintas e sextas (às 20h) e sábados (às 16h e 18h)
Ingressos: Grátis - Retirar com 1h de antecedência.
Classificação: de 14 anos. Gênero: Drama. Duração: 60 min.
No período de 24/5 a 2/6 não haverá apresentação.

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Sala 7)
Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - São Paulo/SP
Tel: (11) 3221­5558. Capacidade: 30 lugares.
Acessibilidade. Café. Não possui estacionamento.

Assessoria de imprensa: VERBENA Comunicação

Eliane Verbena / João Pedro
Tel: (11) 2738-3209 / 99373-0181 - verbena@verbena.com.br

quinta-feira, 29 de março de 2018

Cia. de Teatro Heliópolis volta ao cartaz em maio com Sutil Violento


“O ímpeto transformador é evidenciado pelo modo como o caldeirão temático – os preconceitos de gênero, de raça, de credo, de orientação sexual e de ideologia, para ficar nessa paleta – é posto em contraste na criteriosa encenação de Sutil Violento.” (Valmir Santos)
Depois da temporada de sucesso, em 2017, o espetáculo Sutil Violento, da Companhia de Teatro Heliópolis, reestreia no dia 5 de maio (sábado, às 20h), na Casa de Teatro Maria José de Carvalho, no bairro Ipiranga, em São Paulo. Com texto de Evill Rebouças e encenação assinada por Miguel Rocha (diretor e fundador do grupo), a montagem trata da violência sutil - visível ou comodamente invisível - presente em nosso cotidiano.

A encenação de Sutil Violento - com elenco formado por Alex Mendes, Arthur Antonio, Dalma Régia, David Guimarães, Klaviany Costa e Walmir Bess - começa com um frenesi cotidiano, as pessoas correm. Não param. Mal se percebem. Desviam umas das outras, em alguns momentos se esbarram e, em átimos de atenção, reparam que exitem outros, tão próximos e tão parecidos (ou tão diferentes?). Ali, logo ali, há um corpo caído no chão. Será um homem ou um bicho? Apenas se cansou ou não respira mais? Queria comunicar algo, mas será que conseguiu? Um olhar mais atento ao entorno começa a revelar abusos, agressões, confrontos e opressões diárias: formas de coerção privadas ou públicas. Sutis violências do nosso tempo, tão sutis que se tornam invisíveis, naturalizadas.

O diretor Miguel Rocha explica que o espetáculo aborda o tema microviolência por meio de uma estrutura fragmentada, tanto na cena quanto no texto. “A dramaturgia é composta por um conjunto de elementos: ações físicas, movimentos, música ao vivo e texto”, diz. Na encenação não há personagens com trajetórias traçadas, mas figuras cujas relações com o contexto social estão em foco, a exemplo da mulher que é silenciada e do jovem que usa sapatos de salto diante de olhares atravessados. “As microviolências se revelam a partir dessas relações que se estabelecem entre essas pessoas e a sociedade”, argumenta.

A encenação tem trilha sonora de Meno Del Picchia, executada ao vivo (guitarra, violoncelo e percussão). A música também tem sua carga dramatúrgica em Sutil Violento e ajuda a estabelecer as tensões entre as figuras, muitas vezes a força do discurso está na musicalidade ou na própria canção interpretada. Outro ponto importante é o espaço cênico: a Companhia de Teatro Heliópolis optou pela instalação (de Marcelo Denny) ao invés da cenografia. Nada convencional, o cenário cedeu lugar a um ambiente todo em vermelho (piso, paredes e arquibancadas) que, ao primeiro contato, já propõe sensações diversas.

Miguel Rocha conclui que o espetáculo quer pontuar as microviolências do nosso tempo, do Brasil de hoje, quer mostrar que as pequenas ou sutis violências se potencializam mediante suas naturalizações. “Sutil Violento é muito mais provocação que denúncia. Cada um vai compreender o espetáculo pela perspectiva pessoal. Por isso acho importante trabalhar com símbolos em cena, que reverberam sempre de forma diferente para cada pessoa. O espectador vai se deparar com alguns deles em Sutil Violento. É importante fazê-lo pensar, e um artifício bom para isto é mesmo a provocação.”

“Acostumada a jogar a partir da noção da falta – premissa existencial de quem vive na periferia sul da cidade –, a companhia se fia na materialidade dos corpos que vibram e vagam. A atualização das formas de tortura não é sádica, mas tampouco alivia a face contundente dessa experiência que repercute desde a epiderme da alma do ser urbano até o coração em disparada nessa hora da nação.” (Valmir Santos)

Sutil Violento é resultado do projeto Microviolências e Suas Naturalizações, contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Uma série de atividades foi realizada, em 2016, durante o processo de pesquisa. Além de entrevistas com pessoas da comunidade de Heliópolis, o grupo promoveu encontros para discutir a “Naturalização da Violência” com importantes pensadores e ativistas: Leonardo Sakamoto, Marcia Tiburi, Zilda Iokoi e Bruno Paes Manso. Os debates, mediados por Maria Fernanda Vomero (também provocadora no processo), foram fundamentais para a construção do trabalho. O projeto teve ainda Alexandre Mate e Marcelo Denny como provocadores teatrais, Lúcia Kakazu na direção de movimento e Samara Costa na criação do figurino, entre outros.

Ficha técnica

Encenação: Miguel Rocha.
Texto: Evill Rebouças (criação em processo colaborativo com a Cia de Teatro Heliópolis)
Elenco: Alex Mendes, Arthur Antonio, Dalma Régia, David Guimarães, Klaviany Costa e Walmir Bess.
Direção de movimento e preparação corporal: Lúcia Kakazu
Oficinas de dança: Nina Giovelli e Camila Bronizeski
Direção musical e preparação vocal: Meno Del Picchia
Oficinas de voz e canto: Olga Fernandez, Sofia Vila Boas e Lu Horta
Músicos: Giovani Bressanin (guitarra), Eduardo Florence (violoncelo) e Luciano Mendes de Jesus (percussão)
Sonoplastia: Giovani Bressanin
Provocação teórica e prática: Maria Fernanda Vomero
Provocação / teatro épico: Alexandre Mate
Provocação / teatro performático: Marcelo Denny
Mesas de debates: Marcia Tiburi, Leonardo Sakamoto, Bruno Paes Mando e Zilda Iokoi
Mediadora/debates: Maria Fernanda Vomero
Organização de textos do programa: Maria Fernanda Vomero
Cenografia/instalação: Marcelo Denny
Assistente de cenografia: Denise Fujimoto
Figurino: Samara Costa
Iluminação: Toninho Rodrigues e Miguel Rocha
Assistente de iluminação: Raphael Grem
Operação de luz: Gabriel Igor
Direção de produção: Dalma Régia
Designer gráfico: Camila Teixeira
Fotos: Geovanna Gellan
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena
Realização: Companhia de Teatro Heliópolis
Apoio: 31ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, AGC Vidros, Schioppa, Arno e Tonlight.
Primeira temporada: 27 de maio a 27 de agosto/2017

Serviço

Espetáculo: Sutil Violento
Reestreia: 5 de maio. Sábado, às 20 horas
Temporada: 5 de maio a 8 de julho (dias 26 e 27 de maio e 24 de junho não haverá apresentação)
Horários: sábados, às 20h; e domingos, às 19 horas.
Ingressos: Pague quanto puder (bilheteria 1h antes das sessões)
Duração: 90 minutos. Gênero: Experimental. Classificação: 14 anos

Casa de Teatro Maria José de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1533. Ipiranga/SP. Tel: (11) 2060-0318
Capacidade: 48 lugares. Não possui acessibilidade. Não possui estacionamento.


Assessoria de imprensa: VERBENA Comunicação
Eliane Verbena / João Pedro
Tel: (11) 2738-3209 / 99373-0181 - verbena@verbena.com.br

sexta-feira, 23 de março de 2018

O Buraco d’Oráculo promove Café Teatral com participação de Ray Lima


O grupo de teatro O Buraco d’Oráculo promove, no dia 26 de março (segunda, às 19h), o Café Teatral – Uma Conversa sobre Cenopoesia com participação do poeta Ray Lima. O bate-papo, que tem entrada franca, acontece na Ocupação Teatral Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, à Avenida Paranaguá, nº 1633.  Mais informações pelo (11) 98152-4483 ou pelo site http://www.buracodoraculo.com.br/.

Esta atividade integra a programação de lançamento do espetáculo Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro, cujo texto e dramaturgia levam a assinatura do poeta convidado. A montagem - que tem a cenopoesia como estética - marcou a comemoração dos 20 anos do Buraco d’Oráculo com apresentações por todas as regiões de São Paulo, no período de 4 de fevereiro a 25 de março.

Dirigido por Elizete Gomes, Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro é uma intervenção urbana, um mosaico de poemas extraídos da obra de Ray Lima, costurados dramaturgicamente a partir do conceito da cenopoesia: expressão artística que mistura imagens, gestos, canções e palavras na composição de uma mesma expressão artística. Os fragmentos poéticos que permeiam a encenação convergem para um tema central: a séria questão político-social da disputa de poder. Em cena, os atores Edson Paulo Souza, Lu Coelho, Luiza Galavotti, Mizael Alves e Nataly Oliveira interpretam poemas em formato de cenas, de poesia teatralizada que transita com leveza entre o cômico e o dramático, provocando o espectador pela sutileza poética e contundência dos temas sociais. Desta forma, o grupo ultrapassa os limites do teatro prosaico e do recital de poesias.

Locais de apresentação do espetáculo: Praça do Casarão (Jardim Helena), Teatro Flávio Império (Cangaíba), Ocupação Coragem (Cohab II, Itaquera), Parque São Rafael, Largo do Campo Limpo, Comunidade Quilombaque e Ocupação Artística Canhoba (Perus), Casa de Cultura Salvador Ligabue (Freguesia do Ó), Arsenal da Esperança (Bresser), CDC Vento Leste (Cidade Patriarca), Ocupação Casa no Meio do Mundo (Vila Medeiros), Largo São Bento, Cine Campinho (Jd. Bandeirantes), Conjunto Residencial Prestes Maia e Centro Cultural Arte em Construção (Cidade Tiradentes) e Sarau Pretas Peri (Itaim Páulista).

Ficha técnica - Espetáculo: Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro. Textos e dramaturgia: Ray Lima. Direção: Elizete Gomes. Elenco: Edson Paulo Souza, Lu Coelho, Luiza Galavotti, Mizael Alves e Nataly Oliveira. Concepção de figurinos e adereços: Luciano Wieser com colaboração de Raquel Durigon. Músicas: Júnior Santos e Ray Lima. Preparação vocal: Cadu Wintter. Colaboração dramatúrgica: Luciano Carvalho. Projeto gráfico: Jadiel Lima. Técnico: Romison Paulo. Produção e idealização: O Buraco d’Oráculo. Apoio cultural: Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo.

Serviço

Conversa: Café Teatral – Uma Conversa sobre Cenopoesia
Dia 26 de março. Segunda, às 19h
Local: Ocupação Teatral Ermelino Matarazzo
Avenida Paranaguá, nº 1633 – Zona Leste
Entrada franca. Duração: 1h30
Informações: (11) 98152-4483 / http://www.buracodoraculo.com.br/

quarta-feira, 21 de março de 2018

CAIXA Cultural São Paulo apresenta os 80 anos de gaita de Maurício Einhorn


Foto de Cezar Fernandes
A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 13 a 15 de abril (sexta a domingo), o show Maurício Einhorn - 80 Anos de Gaita, com entrada franca. Os espetáculos têm patrocínio da CAIXA Econômica Federal.

Considerado o maior gaitista brasileiro, o genial Einhorn – no auge de seus 85 anos – comemora oito décadas dedicadas à gaita com show autoral. O músico apresenta-se acompanhado por Alberto Chimelli (teclados), Luis Alves (baixo acústico) e João Cortez (bateria).

Antes da apresentação do dia 14 (sábado), haverá exibição, às 18h, do documentário Mauricio Einhorn – Estamos Aí, dirigido por Rodolfo Novaes, sobre a vida e obra do artista.

O harmonicista é tido também como um dos melhores do mundo, tendo tocado com artistas do naipe de Sarah Vaughan, Nina Simone e Herbie Mann, entre outros. Com presença marcante no movimento bossa nova, ele compôs os clássicos "Batida Diferente" (com Durval Ferreira), "Tristeza de Nós Dois" (com D. Ferreira e Bebeto), "Estamos Aí" (com D. Ferreira e Regina Werneck) e "Alvorada" (com Arnaldo Costa e Lula Freire).

Formou com o violonista/guitarrista Hélio Delmiro e o baixista Arismar do Espírito Santo um trio dos mais requisitados nas noites cariocas, além de ter músicas gravadas no Brasil e no exterior por Tom Jobim, Leny Andrade, Herbie Mann, Paquito d’Rivera, David Fathead, Newman, Lino Nebbin, Cannonball Adderley e outros. Entre seus principais parceiros destacam-se Johnny Alf, Eumir Deodato, Sebastião Tapajós, Durval Ferreira, Arnaldo Costa, Alberto Arantes, Bebeto, Marco Versiani, Alberto Chimeli e José de Alencar Schettini.

Com sua técnica apurada e rara sensibilidade, Mauricio Einhorn é respeitado e querido no mundo todo, e pode se considerado também como patrimônio da cultura musical brasileira.

O repertório do show é formado por composições próprias: “Já Era” (parceria com Eumir Deodato); “Valsa para Marina”, “Conexão Leme”, “Te Olhei” e “Chorinho Carioca” (parcerias com Alberto Chimelli); “Mood”, “Artimanhas”, “Travessuras” e “Conexões” (parcerias com Alberto Araújo); “Acalanto” e “Please Could You Play Again” (com Lars Bo Enselmann); “São Conrado” (com Carlos Alberto Pingarilho), “Ao Amor” (com José Schettini); “Tema de Amor” (com Sebastião Tapajós); e “Tristeza de Nós Dois” (com Durval Ferreira e Bebeto Castilho).

Serviço

Show: Maurício Einhorn - 80 Anos de Gaita
Data: 13 a 15 de abril. Sexta a domingo, às 19h15
Ingressos: Grátis. Distribuídos a partir das 9h do dia do evento
Duração: 60 minutos. Classificação: Livre. Capacidade: 80 lugares

Exibição do documentário: Mauricio Einhorn – Estamos Aí
Data: 14 de abril. Sábado, às 18h
Duração: 45 minutos. Ingressos: Grátis. Capacidade: 80 lugares.

Local: CAIXA Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111 - Centro
Informações: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

Sobre Maurício Einhorn
Foto de Nelson Farias

Filho de gaitistas, Maurício Einhorn foi presenteado aos cinco anos com uma gaita. Aos 10 anos, já se apresentava em programas de rádio. Em 1945, participou do conjunto de gaitas Broadway Boys e depois foi músico na Rádio Tupi. A primeira participação em estúdio foi em 1949, com o conjunto de harmônicas Brazilian Rascals. Iniciou-se no jazz em 1954, tocando na Rádio Mayrink Veiga e no bar do Hotel Plaza. Em 1960, teve registrado pela primeira vez seu trabalho de compositor, com a gravação de "Sambop" (com Durval Ferreira) e "Tristeza de Nós Dois" (com D. Ferreira e Bebeto) por Cladette Soares, no LP Nova Geração em Ritmo de Samba.

Nos Estados Unidos atuou em shows ao lado de músicos como Joe Carter, Paquito d'Rivera, Jim Hall, Ron Carter, Herbie Mann, Sarah Vaughan, Barney Kessel, Chuck Mangioni, Dom Burrows, Toots Thielemans, Joe Carter e Richard Kimball. No Brasil, tocou com Vitor Assis Brasil, Chico Buarque, Claudette Soares, Eumir Deodato, Os Cariocas, Gilberto Gil, Elis Regina, Nara Leão, Maysa, Raul Seixas, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Zizi Possi, Luiz Melodia, Tito Madi, Pery Ribeiro, Carmen Costa, Lúcio Alves, Tom Jobim, Baden Powell, Edu Lobo, Hermeto Pascoal, Paulo Moura, Sebastião Tapajós, Sérgio Mendes, Sivuca, Waldir Azevedo e muitos outros. Apresentou-se em festivais como Montreux Festival, ao lado de David Samborn, Month Alexander e Nina Simone, III Festival Internacional da Canção (TV Globo), ao lado de Taiguara, IV Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), com "Domingo de manhã" (dele, Arnaldo Costa e Mário Telles), interpretada por Wilson Miranda. 

Participou de trilhas sonoras de diversos filmes (como Os Cafajestes, O Beijo no Asfalto e Lulu, de Phillipe de Broca) e telenovelas (a exemplo de Malu Mulher, TV Globo). Presença marcante também, em 1999, nos shows Tributo a K-Ximbinho (RJ), Tributo a Waldir Azevedo (Brasília) e 40 Anos de Bossa Nova (RJ), além de shows memoráveis comemorando seus 75 anos e 60 de carreira (em 2007, na Sala Cecília Meirelles - RJ) e pelo seu 80º aniversário (em 2012, no Teatro Vannucci - RJ), ao lado de Alberto Chimelli, Luiz Alves, João Cortez, Idriss Boudrioua e Chiquito Braga. Em 2013, Mauricio foi tema do documentário do diretor e músico Rodolfo Novaes (Mauricio Einhorn - Estamos Aí), que conta sua biografia, acontecimentos de sua carreira e seu ponto de vista sobre a música e a gaita.

Além de participar de dezenas de discos de outros artistas, Maurício Einhorn lançou Travessuras (2007 - Delira Música), Conversa de Amigos – vol. 2 (2007 - Delira Música), Conversa de Amigos – vol. 1 (2002 – Delira Música), O Encontro de Solistas (1999 - Movieplay), Tempos de Bossa Nova (1997 – Ed. Caras), Instrumental no CCBB (1996 - Tom Brasil), The Joe Carter Quartet (1996), Zimbo Trio / Maurício Einhorn e seu trio (1993 - Tom Brasil/Eldorado), Jugando en Buenos Aires (1985 - Selo Interdisc), Maurício Einhorn & Sebastião Tapajós (1984 - Barclay/Ariola), ME (1980 – Clam), The Oscar Winners (1975 - reeditado como A Era de Ouro do Cinema) e Portate Bien (1949 - Gravadora Rio, em 78 rpm).

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