quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Alexandre Grooves comemora Troféu Cata-vento, pré-indicação ao Grammy e lançamento no Japão

“Multi”, o segundo disco de Alexandre Grooves segue o caminho de seu antecessor, sendo pré-selecionado ao Grammy Latino nas categorias Melhor Álbum e Melhor Canção em Língua Portuguesa com a música “É Tudo Gente”. Essa composição também foi premiada como Música do Ano com o Troféu Catavento 2017 da Rádio Cultura Brasil, criado por Solano Ribeiro.

O bom momento traz também novidades vindas do Japão: o selo Kissing Fish acaba de lançar um vinil (compacto) de Grooves com as músicas “Sou Louco por Ela” e “Amanhã Eu Não Vou Trabalhar”. E seu novo CD pode ser ouvido em várias rádios do Brasil como USP FM, Cultura Brasil e Antena 1 (RJ).

Multi

Com influências de rock, folk e blues, mas sem perder a identidade pop e as referências da MPB, o CD é o segundo da carreira de Alexandre Grooves, lançado em 2017 com distribuição da Tratore. São 10 faixas, sendo nove são autorais e uma regravação: “Ska” (do Paralamas do Sucesso), numa versão vibrante e surpreendente. Multi-instrumentista, Grooves gravou a maioria dos instrumentos e fez os arranjos, além de produzir o álbum.

O novo trabalho chegou 10 anos depois do lançamento do primeiro, “Amanhã Eu Não Vou Trabalhar”, que também foi pré-selecionado ao Grammy Latino em cinco categorias e escolhido pelo iTunes como um dos 10 melhores discos brasileiros de 2007.

Após um hiato de seis anos afastado da música, devido a uma lesão nas cordas vocais, Alexandre Grooves retomou a carreia. Mais maduro como compositor, seu talento pode ser comprovado tanto nas letras, que podem ser ao mesmo tempo engajadas e emocionantes, quanto no instrumental, mais criativo e virtuoso.

O repertório de “Multi” é formado por: “É Tudo Gente“, “Sou Louco por Ela”, “Cancela”, “Respeite-me”, “Ska”, “Pra Viver Só com Você“, “Na Parede”, “O que Seria das Flores”, “Garota da Capa” e “Quando o Mar Quebra”.
  
Alexandre Grooves

Alexandre Grooves começou a tocar aos sete anos, na escola do Zimbo Trio (CLAM), onde fez os cursos de piano e contrabaixo. Mais tarde, como autodidata, aprendeu também a tocar violão, bateria e percussão. O artista declara que a sonoridade do seu trabalho tem influência de artistas como Djavan, Gilberto Gil, John Mayer, Stevie Wonder, Seu Jorge, Jamie Cullum, Lenine, entre outros.

Antes de se lançar em carreira solo, Alexandre Grooves tocou com Maurício Manieri, Seu Jorge, Cláudio Zoli, Jair Oliveira e Funk Como Le Gusta, entre outros. O artista também integrou as bandas Grooveria e Paumandado. Entre os artistas que já participaram de seus shows, destaque para Wilson Simoninha, Luciana Mello, Seu Jorge, Jair Oliveira, Max de Castro, Maurício Manieri, Milton Guedes e Gabriel Moura.

Seu disco de estreia “Amanhã Eu Não Vou Trabalhar” tem participação de convidados ilustres como Seu Jorge, Céu e Maurício Manieri. O álbum foi pré-selecionado para o Latin Grammy Award em cinco categorias e considerado pelo site iTunes, um dos 10 melhores CDs brasileiros de 2007, sendo também lançado no Japão. A faixa-título ficou entre as 10 músicas mais pedidas da Rádio Eldorado FM (SP), além de ser incluída no repertório dos shows da cantora Mart’Nália. “Passar por Mim” foi gravada por Luciana Mello (CD “Nêga”) e "Antes Não do que Talvez", por Pedro Mariano.

Em outubro de 2008, Alexandre Grooves fez o show de abertura para a apresentação da cantora inglesa KT Tunstall, no Via Funchal, em São Paulo. Em março de 2009, Alexandre realizou sua primeira turnê nos Estados Unidos, fazendo shows em Los Angeles, Long Beach, San Antonio, Nova York e Boston, além de participar do festival SXSW, em Austin.

Serviço

Lançamento de CD: “Multi”
Artista: Alexandre Grooves
Selo: independente. Distribuição Trattore. Preço sugerido: R$ 28,00
Disponível nas plataformas digitais.
   

Assessoria de imprensa - VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena / João Pedro
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Estreia de Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro comemora 20 anos do grupo O Buraco d’Oráculo

Foto de Carlos Goff
Contemplado pela a 5ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro, o grupo paulistano O Buraco d’Oráculo comemora 20 anos de história com a montagem de Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro, cuja estreia ocorre no formato de circulação pelas cinco regiões da cidade de São Paulo.

As 20 apresentações, grátis, acontecem no período de 4 de fevereiro a 25 de março, privilegiando os espaços públicos ocupados por coletivo de artes.

O espetáculo, dirigido por Elizete Gomes, é uma intervenção urbana, um mosaico de poemas extraídos da obra de Ray Lima que foram costurados dramaturgicamente a partir do conceito da cenopoesia: expressão artística que mistura imagens, gestos, canções e palavras na composição de uma mesma expressão artística. Os fragmentos poéticos que permeiam a encenação convergem para um tema central: a séria questão político-social da disputa de poder.

Em cena, os atores Edson Paulo Souza, Lu Coelho, Luiza Galavotti, Mizael Alves e Nataly Oliveira interpretam poemas em formato de cenas, de poesia teatralizada que transita com leveza entre o cômico e o dramático, provocando o espectador, seja pela sutileza poética ou pela contundência dos temas sociais. Desta forma, O Buraco d’Oráculo ultrapassa os limites do teatro prosaico e do recital de poesias. As cantigas originais, executadas ao vivo, foram criadas por Júnior Santos e Ray Lima.

Os locais de apresentação são: Praça do Casarão (Jardim Helena), Teatro Flávio Império (Cangaíba), Teatro Pandora (Perus), Ocupação Casa no Meio do Mundo (Jardim Brasil), Largo São Bento (Centro), Cine Campinho (Jardim Bandeirantes), Conjunto Residencial Prestes Maia (Cidade Tiradentes), Centro Cultural Arte em Construção (Cidade Tiradentes) e Sarau Pretas Peri (Itaim Paulista), Comunidade Quilombaque (Perus), Ocupação Coragem (Itaquera), Parque São Rafael, Largo do Campo Limpo, Casa de Cultura Salvador Ligabue (Freguesia do Ó), Arsenal da Esperança (Bresser), CDC Vento Leste (Cidade Patriarca) e Ocupação Canhoba (Perus).

Segundo a diretora, a intervenção “faz uma colagem da obra do poeta Ray Lima, explorando diversos sinais, signos, sons, cores, movimentos, objetos e palavras que, somados, funcionam como dispositivos para a manifestação da liberdade entre os atores e o público”.  Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro é uma aposta do Buraco d’Oráculo no tênue limite entre a realidade e a representação artística, onde a mediação entre esses dois pontos é feita pelo espectador que ora atua, ora contempla, inserido em um espaço cênico profanado, que se move apenas pela força lírico-dramática-épica da cenopoesia.

Ficha técnica

Espetáculo: Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro
Textos e dramaturgia: Ray Lima
Direção: Elizete Gomes
Elenco: Edson Paulo Souza, Lu Coelho, Luiza Galavotti, Mizael Alves e Nataly Oliveira
Concepção de figurinos e adereços: Luciano Wieser com colaboração de Raquel Durigon
Músicas: Júnior Santos e Ray Lima
Preparação vocal: Cadu Wintter
Colaboração dramatúrgica: Luciano Carvalho
Projeto gráfico: Jadiel Lima
Técnico: Romison Paulo
Produção e idealização: O Buraco d’Oráculo
Apoio: Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo – 5ª Edição/2016

Sinopse: Intervenção teatral que utiliza a poesia de forma dramatúrgica, a partir dos princípios da cenopoesia em que imagens, gestos, canções e palavras se misturam. Os poemas aparecem em cenas fragmentadas que transitam entre o cômico e o dramático com leveza poética e também de forma contundente tocando em temas sociais.

Programação

4/2 (domingo, às 17h) – Pré-estreia
Local: Praça do Casarão - Rua São Gonçalo do Rio das Pedras, S/N - Vila Mara, São Miguel Paulista (estação Jardim Helena/Vila Mara da CPTM).

17 e 18/2 (sábado e domingo, às 17h)
Local: Teatro Flávio Império - Rua Prof. Alves Pedroso, 600 - Engenheiro Goulart, Cangaíba. Tel: (11) 2621-2719.

23/2 (sexta, às 19h)
Local: Ocupação CORAGEM - COHAB II - Rua Vicente Avelar, 53 - José Bonifácio, Itaquera (estação José Bonifácio da CPTM).

24/2 (sábado, às 16h)
Local: Parque São Rafael
Praça Oswaldo Luiz da Silveira, S/N - Parque São Rafael. (Região do Grupo Rosas Periféricas).

25/2 (domingo, às 16h)
Local: Largo do Campo Limpo
Largo do Campo Limpo S/N – Campo Limpo. (Região do Bando de Trapos / CITA).

2/3 (sexta, às 20h30)
Local: Casa de Cultura Salvador Ligabue (Biblioteca) - Largo da Matriz, S/N - Freguesia do Ó.
3/3 (sábado, às 19h)
Local: Comunidade Quilombaque - Travessa Cambaratiba, 5 - Perus.

4/03 (domingo, às 17h)
Local: Arsenal da Esperança - Rua Dr. Almeida Lima, 900 - Bresser.

9/03 (sexta, às 16h)
Local: CDC Vento Leste (Clube da Comunidade) - Rua Frederico Brotero, 60 – Jardim Tirana, Cidade Patriarca. (Espaço de atuação do Coletivo Dolores).

10/3 (Sábado, às 16h)
Local: Ocupação Artística Canhoba - Rua Canhoba, 299 – Vila Fanton, Perus. (Espaço do Grupo de Teatro Pandora).

11/3 (domingo, às 16h)
Local: Ocupação Casa no Meio do Mundo - Rua Itamonte, 2008 - Jardim Brasil. (Espaço do Coletivo Casa no Meio do Mundo).

15 e 16/3 (quinta e sexta, às 17h)
Local: Largo São Bento - Centro. Metrô São Bento.

17/3 (sábado, às 17h)
Local: Cine Campinho - Rua Alessio Prates, S/N - Jardim Bandeirantes. (Espaço do Coletivo Cine Campinho).

18/3 (domingo, às 16h)
Local: Conjunto Residencial Prestes Maia - Praça José Ribeiro Carvalhais, S/N - Cidade Tiradentes.

22 e 23/3 (quinta e sexta, às 17h)
Local: Largo São Bento - Centro. Metrô São Bento.

24/3 (Sábado, às 19h)
Local: Centro Cultural Arte em Construção - Av. dos Metalúrgicos, 2100 - Cidade Tiradentes. (Espaço do grupo Pombas Urbanas).

25/3 (domingo, às 17h)
Local: Sarau Pretas Peri - Rua Manuel Álvares Pimentel, 432 / 442 - Jardim Camargo Velho, Itaim Paulista.

Serviço

Espetáculo: Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro
Circulação: 4 de fevereiro a 25 de março
Ingressos: Grátis.
Classificação: Livre. Duração: 50 min. Gênero: Teatro de rua (Cenopoesia)
Informações: (11) 98152-4483
Programação completa: http://www.buracodoraculo.com.br/

 Cenopoetizar é perceber a vida ato de recriação constante, onde o cenopoeta / de corpo inteiro age cultura adentro, / rompendo com as barreiras do individualismo, / do ser ilhado e egoísta das multidões do consumo, / restabelecendo o diálogo ancestral entre ser e existir com o outro, / com  o prazer, a espontaneidade e o respeito de uma / criança que brinca à beira de um rio caudaloso / a interagir e aprender com o perigo de viver, sem medo de existir dignamente. / É arte que segue, vida que continua. (Lima, Ray)


Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena e João Pedro
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Teatro Sérgio Cardoso recebe D’arc – Dark de Dinah Perry e Jorge Garcia

Fotos: Sílvia Machado
O espetáculo D’Arc – Dark, concebido pelos coreógrafos Dinah Perry e Jorge Garcia, tem apresentações no Teatro Sérgio Cardoso (Sala Paschoal Carlos Magno), nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro (quarta e quinta, às 20h).

D'arc - Dark é dividido em dois atos sequenciais com 30 minutos de duração cada. São coreografias distintas que mostram os diferentes olhares dos coreógrafos para um mesmo tema, mas que se complementam ao contemplar a mulher de todos os tempos.

Tanto D’arc de Dinah Perry quanto Dark de Jorge Garcia tem Joana d’Arc como inspiração criativa: heroína francesa, santa da igreja católica e padroeira da França, ela foi chefe militar na Guerra dos Cem Anos e condenada à execução na fogueira sob a acusação de bruxaria. Dinah traz a Joana D’arc inserida nas questões da mulher contemporânea; já Garcia explora o lirismo e as dores desse arquétipo de mulher. Embora o período medieval seja pano de fundo, o espetáculo tem contexto atemporal.

A coreografia de Perry reúne elementos da dança, do teatro e da expressão corporal, amarrados por textos autorais. Em foco o corpo dinâmico em combate, propondo imagens intensas às cenas. Em D’arc, a mulher aparece inserida nas mazelas do mundo atual, questionando as relações humanas ceifadas pelo poder, pela inveja e pela solidão.
A criação de Garcia aborda Joana d’Arc como símbolo do sofrimento das mulheres acusadas de bruxaria na Idade Média. O nome ‘dark’, de escuro, é uma metáfora ao nome da heroína para trazer luz à penumbra da cena e refletir sobre uma cultura que ainda se faz presente. A sensação de ser queimado e a imagem sensorial desta ação trazem para a coreografia Dark o discurso ao qual se propõe. Os corpos são manipulados em cena com varetas de madeira, enquanto o sofrimento e o aprisionamento também são manipulados.

Enquanto a música lírica pontua a encenação de Dinah, musicais de Björk aparecem em coro, em forma de lamento, na criação de Garcia. As duas coreografias trazem um mesmo elenco de quatro bailarinas - Ana Carolina Barreto, Carine Shimoura, Larissa Leão e Paula Miessa, além de Julia Cavalcante (somente em D’arc).
Ficha técnica

Criadores/coreógrafos: Dinah Perry e Jorge Garcia
Elenco: Ana Carolina Barreto, Carine Shimoura, Julia Cavalcante, Larissa Leão e Paula Miessa.
Iluminação: Ari Buccioni
Produção executiva: William Mazzar
Fotos: Silvia Machado e William Mazzar

Serviço

Espetáculo/dança: D’arc - Dark
Dias: 31 de janeiro e 1º de fevereiro. Quarta e quinta, às 20h
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista. São Paulo/SP. Tel: (11) 5061-1132
Ingressos: R$ 30,00 (meia R$ 15,00). Bilheteria: (11) 3288-0136
Duração: 60 min. Classificação: Livre. Capacidade: 144 lugares
Ar condicionado. Acessibilidade. www.teatrosergiocardoso.org.br
Ingressos antecipados: https://www.ingressorapido.com.br/
 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A Casa da Mariquinhas, um cabaré regado a fado e poesia, volta à Cia da Revista em janeiro

Fotos de Rafael Sampaio
O espetáculo musical A Casa da Mariquinhas - Um cabaré português com Poesia e Fado reestreia no dia 20 de janeiro (sábado, às 18 horas), no Espaço Cia da Revista, onde permanece em cartaz até o dia 11 de março.

Tradicional estilo musical de Portugal, o fado dá o tom e a poesia dá o clima ao espetáculo que tem roteiro e concepção de Helder Mariani e direção de Dagoberto feliz.

No palco, os atores-cantores - Helder Mariani, Katia Naiane, Ricardo Arantes, e Silmara Deon - costuram poesias de autores expressivos da literatura portuguesa como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, José Régio e Bocage aos fados que marcaram a cultura lusitana. Entre as músicas, “É Loucura”, “Só Nós Dois É que Sabemos”, “Perseguição”, “Casa Portuguesa”, “Grândola Vila Morena”, “Esquina de Rua”, “Maldição” e “Estranha Forma de Vida”, além da canção-título “A Casa da Mariquinhas”. Segundo o idealizador do espetáculo Helder Mariani, “são todas obras instigantes, carregadas de nostalgia e com grande apelo dramático e teatral”.

Os espectadores, sentados em mesas espalhadas pelo salão da Cia da Revista, são envolvidos pela atmosfera dos antigos cabarés, como nos ambientes chamados “fado vadio”, em que as pessoas cantavam e bebiam junto com os fadistas.

No passado, Casa da Mariquinhas foi uma animada casa de raparigas, onde os frequentadores se encontravam para contar da vida e cantar o fado. A Casa foi leiloada e se tornou uma respeitável e discreta casa de penhor. Do antigo estabelecimento nada sobrou, nem mesmo as tabuinhas nas janelas para evitar os fuxicos.

O musical se desenvolve com base em canções interpretadas pelo fadista português Alfredo Marceneiro, criadas para retratar a história da Casa da Mariquinhas, então apresentada em três momentos: o apogeu com todo o glamour peculiar ao bordel, o duro momento em que a casa é leiloada e sua transformação em casa de penhor, tendo janelas de vidro no lugar das tábuas.

Na poesia e no fado se confundem as historias de Portugal, dos fadistas e das pessoas do povo. E nesse cabaré, os atores brasileiros, deste lado do Atlântico, se voltam para as terras lusitanas de além-mar e redescobrem as nossas próprias raízes e lutas, somadas às  artimanhas do amor para aproximar a plateia do universo da cultura lusitana.
 
O espetáculo A Casa da Mariquinhas é um antigo projeto de Helder Mariani de reunir duas de suas paixões: poesia e fado. Segundo ele, a criação seguiu dois critérios: “o existencial, para ressaltar o caráter sentimental e nostálgico do fado com suas tragédias de vida, e a questão política, pois o fado é uma expressão artística relacionada diretamente à Revolução dos Cravos que derrubou o ditador Antônio de Oliveira Salazar, em 1974”, comenta.

Dagoberto Feliz explica que na ditadura portuguesa, enquanto alguns fadistas adaptavam letras, fazendo com que o governo de Salazar se apropriasse politicamente do fado, outros resistiram ao regime e mantiveram seu caráter contestatório e revolucionário. “Fato bastante semelhante ao que ocorreu na ditadura brasileira”, explica o diretor. Helder completa: “É inegável que o fado, ao registrar a história contemporânea de Portugal, passa também por nossa própria história”.


Para selecionar as canções que formariam A Casa da Mariquinhas houve pesquisa histórica em Portugal em busca não só das origens do estilo, mas também dos fados modernos com novos contornos que agregam outros discursos e novos elementos em sua estrutura, sofrendo, inclusive, influências de outros estilos musicais como o jazz, por exemplo. O mergulho nesse universo musical lusitano incluiu visita ao Museu do Fado, em Lisboa, que preserva a memória dessa expressão cultural e levanta discussão sobre a função do fado, na atualidade.
Ficha técnica / Serviço

Idealização e roteiro: Helder Mariani
Direção geral: Dagoberto Feliz
Elenco: Helder Mariani, Katia Naiane, Ricardo Arantes e Silmara Deon.
Ator stand in: Artur Volpi
Direção musical: Marco França
Desenho de luz: Matheus Macedo
Direção de arte: André Medeiros Martins
Identidade visual: Murilo Thaveira
Fotos: Rafael Sampaio
Realização: Cia. Da Palavra e Nossa Senhora da Produção

Espetáculo: A CASA DA MARIQUINHAS - Um cabaré português com Poesia e Fado
Reestreia: 20 de janeiro. Sábado, às 18h
Temporada: do de janeiro a 11 de março
Horários: sábados e domingos, às 18h
Local: Espaço Cia da Revista – Botequim Contra Regra
Endereço: Alameda Nothmann, nº 1135. Campos Elíseos. SP. Tel: (11) 3791-5200
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia).
Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita cartões de crédito.
Gênero: Cabaré de fado. Classificação: 12 anos. Duração: 70 min.
Capacidade: 30 lugares. Acessibilidade. Ar condicionado.
Não haverá espetáculo nos dia 3 e 4 de fevereiro.
Vendas online: www.compreingressos.com - (11) 2122-4070.

Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena e João Pedro
Tel (11) 2738-3209 / 9373-0181- verbena@verbena.com.br

João da Cruz estreia na Casa das Rosas com direção de Helder Mariani e interpretação de Conrado Caputo

Conrado Caputo (foto de Danilo Batista)
Inspirado nos escritos de São João da Cruz, poeta e místico espanhol do século XVI, o espetáculo João da Cruz estreia no dia 19 de janeiro (sexta-feira) na Casa das Rosas, às 20 horas.

A montagem é um solo de Conrado Caputo com dramaturgia e encenação de Helder Mariani. A temporada segue até o dia 23 de fevereiro com sessões sempre às sextas-feiras, às 20 horas.

A ação se passa durante nove meses em que o Frei João da Cruz - canonizado São João da Cruz pela Igreja Católica, em 1726 - foi prisioneiro dos Carmelitas Calçados, seus próprios confrades, numa cela minúscula do Convento de Toledo.

Com uma poesia e uma mística que ultrapassaram os limites do discurso religioso, a obra escrita do Frei João Cruz faz parte da literatura clássica espanhola. O monólogo retrata sua obra literária do santo com suas ideias radicais, expressas pela palavra escrita e pela sua prática de vida. Ele também carrega as contradições existenciais da humanidade que, depois da Idade Moderna, se tornam cada vez maiores. Consumido por uma sede de infinito, de Deus, vivendo numa “noite escura” espiritual, o poeta carmelita se recusa a abrir mão da luta para renovar a sua ordem religiosa e a própria Igreja do seu tempo.

O texto teatral João da Cruz parte de uma colagem de textos traduzidos de várias obras do santo. A proposta do encenador Helder Mariani é discutir sobre o homem, o poeta e o místico; sobre a vivência radical de suas ideias, sentimentos e paixões. “Nosso propósito não é apresentar uma narrativa biográfica de cunho didático”, afirma. A dramaturgia traz um João da Cruz consumido pela sede de infinito nos tempos de prisão, solitário e humilhado, sofrendo altos e baixos emocionais. “Ele reencontra sua pacificação na criação de poemas, num abandono contemplativo e na recusa a uma resposta meramente racional às questões existenciais e, principalmente, foca nos seus planos de fuga – a imaginação artística de um homem que ultrapassa a limitação da realidade e se lança numa contemplação do divino, invisível, silencioso e misterioso”.

João da Cruz ficou preso no Convento Carmelita de Toledo, de meados de dezembro de 1576 a agosto de 1577. Boa parte desse tempo ele ficou numa cela, que era uma cavidade na parede que servia de latrina para hóspedes do convento. Sem condições de higiene, com parca comida, recebendo torturas físicas e psicológicas (inclusive diante da comunidade religiosa do Carmelo), a única ideia que lhe vinha à cabeça, obsessivamente como uma inspiração divina, era a de fugir. Nos interrogatórios, o santo permaneceu firme nas suas convicções de “carmelita descalço”, termo que bem sintetiza as questões éticas e de poder que estavam em jogo, não só os pés no chão, mas o desprendimento e a real pobreza evangélica, preconizada pelo cristianismo. O Frei teve dois carcereiros, e conta-se que o segundo, o jovem Frei João de Santa Maria, teve participação facilitadora na sua fuga.


A encenação de Mariani apresenta o ator solitário na cena, que revela o frágil e forte de todo ser humano, o contraditório e coerente, a ingenuidade e a crítica de um santo. Com uma trilha sonora contemporânea que dialoga com a narrativa, valendo-se de poucos recursos cenográficos ou de iluminação, o ator se despoja em cena e abre espaço para a palavra. O ator se apropria da palavra poética, mística e humana do santo espanhol e traz as questões existenciais na perspectiva do século XVI para uma discussão contemporânea, com os desafios éticos e políticos, filosóficos e espirituais da “pós-modernidade”.

Preso numa cela minúscula: sem luz - havia um feixe de luz que vinha do teto, ao meio dia, quando o frei aproveitava para rezar seu breviário - e quase sem ventilação, João da Cruz responde à crise e a decadência de seu tempo com poesia e uma mística que ultrapassaram os limites religiosos e o tornaram um dos mais importantes escritores da Espanha. “Consta que João da Cruz, o poeta da noite escura, tinha um temperamento dócil, mas bem intenso, o que o torna um personagem cenicamente interessante. Suas buscas espirituais apaixonadas e suas dúvidas martirizantes tão humanas são vividas numa situação limite: a prisão e a ideia fixa de fuga”. Finaliza o encenador Helder Mariani.

Frei João da Cruz

Frei João da Cruz nasceu em Fontiveros, povoado dos arredores de Ávila, Espanha. O pai, Gonçalo de Yepes, de família nobre, foi deserdado ao se casar com a humilde Catarina Álvarez; e faleceu quando João tinha três anos. De lá em diante a vida de João foi de pobreza e miséria. Sua mãe ia de um lado para outro com os filhos, buscando abrigo, trabalho e comida. Casas grandes e belas; conventos nos centros das cidades; hábitos religiosos elegantes; sapatos da moda; túnicas caras com grandes botões de metal, conforme o requinte da época; punhos e colarinhos delicados, segundo as normas da vaidade... Para Frei João da Cruz esse não era o espírito que deveria prevalecer na Ordem do Carmelo, nem na igreja. Esse era o espírito do mundo profano, do luxo e do tédio. Para ele, era preciso fugir desse mundo que aprisiona na vaidade e no poder.

No século XVI a Igreja Católica era finalmente contestada, e seu poder político e econômico questionados pelos novos pensamentos filosóficos, políticos e científicos que se delineavam na Europa. A tradicional ordem religiosa monástica dos Carmelitas também não foi poupada das transformações do Renascimento e passou por uma grande reforma, iniciada pela Madre Teresa, de Ávila, e depois assumida radicalmente pelo Frei João da Cruz. Quando Teresa d’Ávila propôs ampliar as reformas que vinha fazendo no Carmelo feminino para o Carmelo masculino, procurou-lhe um jovem frei, com 25 anos, chamava-se João de Yepes e usava o nome religioso de Frei João de São Matias. Mais tarde, quando se tornou o primeiro carmelita descalço, mudou para João da Cruz, nome com o qual ficou conhecido na Igreja, na literatura espanhola e na história da mística cristã ocidental.

Ficha técnica / serviço

Espetáculo: João da Cruz
Dramaturgia e encenação: Helder Mariani
Interpretação: Conrado Caputo
Direção de arte: Pedro Faraldo
Trilha sonora: Dagoberto Feliz
Fotos: Danilo Batista
Vídeo: Orion Produtora / Nidowilliam Spadotto
Produção executiva: Paloma Rocha
Realização: Cia. da Palavra

Sinopse - Monólogo retrata a obra literária de São João da Cruz, poeta e místico espanhol do século XVI, com suas ideias radicais, tanto na palavra escrita quanto na prática de vida, e suas contradições existenciais. Consumido por uma sede infinita de Deus, o poeta carmelita luta para renovar a Igreja do seu tempo. A ação se passa no período em que Frei João da Cruz esteve prisioneiro e humilhado pelos seus próprios confrades numa cela minúscula do Convento de Toledo.

Estreia: 19 de janeiro. Sexta, às 20h
Local: Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 - Paraíso, São Paulo/SP. Telefone: (11) 3285-6986
Temporada: 19 de janeiro a 23 de fevereiro de 2018. Sextas, às 20h
Ingressos: R$ 40,00 (meia: R$ 20,00). Bilheteria: 1h antes da sessão.
Aceita dinheiro e cartão de débito. Antecipados: www.compreingressos.com
Duração: 60 min. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos.
Capacidade: 25 lugares. Acessibilidade. Site: http://www.casadasrosas.org.br/

PERFIS

Helder Mariani - No teatro, é ator, encenador e dramaturgo. No Grupo Folias, participou como ator dos dois espetáculos: Folias Galileu e Folias D’Arc, dirigidos por Dagoberto Feliz. Desde 2005, encena e atua em vários projetos poético-teatrais na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, sendo os últimos espetáculos apresentados naquela Casa: A Casa É Sua! Caos de Poesias (2014), Cabaré Falocrático (2015) e Theresinha (2014 e 2015). Como ator, atuou também na Cia. As Graças (Noite de Reis, direção de Marco Antonio Rodrigues), no Centro Cultural Silvio Santos (A Flauta Mágica, direção de Roberto Lage), Teatro Fábrica (Os Pequenos Burgueses, direção de Roberto Rosa). E ainda nos espetáculos Malkhut, direção de Denise Weinberg, Cartas ao Futuro, direção de Eduardo Coutinho, Os Cafundó e Flores Sertanejas, direções de Francisco Bretas, entre outros. Também como ator: Os Jecas, (da Cia. da Palavra, premiado como melhor espetáculo pelo júri popular do 43º Fenata, Festival Nacional de Ponta Grossa-PR), Single Singers Bar (produção de Nossa Senhora da Produção) e Vinícius, de Vida Amor & Morte (Cia. Coisas Nossas), com direções de Dagoberto Feliz. Como assistente de direção: Hamlet ao Molho Picante; e encenador: Theresinha e A lucidez Alucina, Poemas de Orides Fontela. Como dramaturgo, escreveu Devaneios do Bárbaro Solitário (ProAC de dramaturgia inédita 2011), sobre os filósofos franceses Rousseau e Voltaire; Theresinha, a partir dos escritos de Santa Thérèse de Lisieux; assina a dramaturgia de Os Jecas, Cabaré Falocrático e A Casa da Mariquinhas. Educador com formação em Direito, Filosofia, Pedagogia, Psicodrama e Teatro. É professor de filosofia e teatro, com trabalhos em várias instituições. Mestre em Filosofia pela PUC-SP, com o título: A Mentira-Verdade do Ator. Hoje, doutorando pela PUC-SP com a pesquisa: O Ator Iluminista.

Conrado Caputo - Ator formado pela Escola de Arte Dramática – EAD/ECA/USP, participou de diversos coletivos, entre eles Teatro da Vertigem, Teatro de Narradores e Cia. Arthur-Arnaldo. Trabalhou com os diretores Cassio Scapin, Bete Dorgam, Ariela Goldmann, Antonio Araújo, José Fernando de Azevedo e Dagoberto Feliz. Entre seus principais trabalhos em teatro estão Bom Retiro 958 Metros, de Joca Reiners Terron (2012), Cidade Desmanche, de José Fernando de Azevedo (2009-2013), A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Bertolt Brecht (2013-2014), As Três Irmãs, de Anton Tcheckov (2008), O Diabo de Tetas, de Dario Fo (2009), Cidade Fim-Cidade Coro-Cidade Reverso, de José Fernando de Azevedo (2011-2013), e Vinicius de Vida, Amor e Morte, criação coletiva (2014). Na televisão, atuou nas novelas Haja Coração e Alto Astral (Rede Globo) e na série Vida de Estagiário (Warner Channel - 3 temporadas, sendo duas delas rodadas em Buenos Aires, numa coprodução Brasil-Argentina). Foi orientador artístico do Projeto Ademar Guerra e oficineiro no Centro Cultural da Penha, em São Paulo. É professor de expressão vocal e improvisação.

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